
Artigo
Paranóia leva pessoas a confundirem cães dóceis com pitbull
- Assassino!!! Assassino!!!
A velhinha, irada, se esgoelava na direção de um pitbull que surgiu que surgiu na sua frente, numa calçada da Gávea. Seu dono, o menino Lucas, de 10 anos, não entendeu a razão de tanto ódio. Na verdade, seu "pitbull" era Babel, um dócil boxer. Desespero em vão da velhinha, fiel integrante de uma patrulha paranóica, que está em toda a cidade fazendo estardalhaço sempre que cruza (ou pensa que cruza!) com alguns dos vilões da moda.
- Chegamos a um limite perigoso. Outro dia tentaram atropelar Babel - disse, indignada, a empresária Anna Paula Martins, mão de Lucas.
Pobre Babel. Não imagina que já tenha sido apelidado de "Terror da Gávea".
- As pessoas gritam que meu cachorro está proibido. Mandam que eu tire ele da rua - conta Lucas, que pretende organizar, com os amigos, o movimento "O boxer é legal."
Um dos amigos, o auxiliar de escritório Daniel Ferreira da Silva, de 21 anos, aprova a idéia, mas pensa em organizar um movimento em benefício próprio: o "Sou careca e forte mas sou de paz."
- Não agüento mais ouvir sermões de seguranças nas festas e de gente me olhando como se eu fosse partir para a briga a qualquer momento. A histeria virou preconceito - resmunga Daniel, 1,92 metro de altura, 115 quilos de puro músculo e um pezinho número 46.
O produtor musical Rômulo Costa sabe bem o que é isso.
- Qualquer confusão em ônibus, por exemplo, os culpados dão os funkeiros. Funk é só um movimento - explica mais uma vez.
Ele confessa que o pitbull e os lutadores de jiu-jítso estão lhe dando boa vida.
- Nos esqueceram. Agora, eles são a bola da vez - brinca.
Mas como demonstração de solidariedade, ele lembra que os funkeiros já homenagearam os lutadores e, agora, a "galera" do bairro de Ricardo de Albuquerque compôs um refrão para os cães ferozes.
- Diz mais ou menos assim: "Soltaram os pitbulls; pitbull mordeu geral; na Turma da Ricardo pula um, pula geral"- canta.
Sérgio Pugliese
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