
Artigo
Animais lêem pensamentos
Biólogo de Cambridge jura que sim, em seu livro que já vendeu 67 mil cópias
Existe algum tipo de ligação telepática entre os animais de estimação é seus donos Para o biólogo da Universidade de Cambridge, Rupert Sheldrake, a certeza disso, baseada em estudos que ele vem desenvolvendo, acabou gerando um livro: Dogs that know whem their owners are coming home - and other unexolained powers of animals (em bom português: Cachorros que sabem quando seus donos estão chegando em casa - e outras forças inexplicáveis dos animais).
O conteúdo do livro (que já vendeu 67 mil cópias na primeira edição de capa dura e que vai ser relançado em formato de bolso) é resultado de um profundo estudo de 2.700 animais de estimação. Segundo Rupert, a obra (U$14, nas livrarias americanas e pela Internet) reúne casos de animais que apresentam comportamentos a princípio sem explicação para nós humanos.
Um dos personagens mais interessantes da nova versão do livro é um papagaio cinzento, africano de nascimento, mas morador de Nova Iorque. Depois de ler os pensamentos da dona, ele fala tudinho que ela pensou. Que perigo!
Aqui no Brasil, já há quem tenha gostado do assunto do livro. A advogada Célia Magalhães, dona de um papagaio, é uma destas pessoas. "Não tenho a menor dúvida de que o Augusto (o papagaio) percebe o que eu estou sentindo. Quando eu estou chateada, ele vem e se enrosca em mim. Parece que quer me consolar", analisa.
Célia destaca o feeling que seu animalzinho tem quando se trata de puxões de orelha (ou melhor pernas). "O Augusto percebe quando eu vou brigar com ele. Antes da bronca, ele fala: desculpa." E toda vez que a família sai, e fica muito tempo fora, ele fica falando "estou com saudades".
Voltando ao livro (que pode ser visto no site http://www.sheldra.ke.org), nele há um dado que vai deixar muitos de queixo caído: mais de 40% dos proprietários de cachorros acreditam que seus animais sabem quando alguém está chegando em casa.
Para os donos de animais que já presenciaram isso, Ruper está no caminho certo, mas, para alguns biólogos e professores de Cambridge, ele endoidou.
O professor de inglês Lewis Wolpert, seu conhecido dos tempos de universitário, declarou o seguinte sobre as pesquisas: "Ele ia bem estudando células vegetais, mas aí se envolveu com essa estória de paranormalidade e se perdeu."
O autor reconhece que seus argumentos são cientificamente questionáveis, mas mesmo assim não desiste de provar sua teoria. "Um fenômeno como a telepatia não se enquadra com a grande visão mecanicista que os cientistas têm da vida, mas eu não desisto", conclui o biólogo.
Claudio Martins: Jornal do Brasil 10/12/2000
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